John Howard Carpenter, mais conhecido simplesmente como John Carpenter, nasceu em Carthage, Nova York, 16 de Janeiro de 1948. Filho de Milton Jean e Howard Ralph Carpenter, é também admirador assíduo de filmes fantásticos, sendo eles, em conjunto, sua principal fonte de influência de trabalho. Profissionalmente, trabalha com cinema (como diretor, compositor, roteirista, ator, produtor, editor, etc) desde a década de 1960, porém foi a partir dos anos 70 que seu brilho foi se expandindo de fato.
O gosto de Carpenter pelo cinema vem de velhos tempos: quando criança costumava assistir filmes de ficção científica e faroeste. Muitos dos cineastas, que ao longo do tempo influenciaram Carpenter em seus filmes – nomes como John Ford e Howard Hawks -, são figuras de sua infância, mas com a maturação outros nomes exemplares surgiram em sua lista particular dos favoritos.
Como foi em 1978, com o filme Halloween, que Carpenter se envolveu com os slash movies, e ainda nessa época o giallo (‘’irmão’’ italiano do slash) estava no gosto do povo, Dario Argento – que é o mais importante diretor a representar o gênero italiano citado há pouco – já tinha se tornado mais um dos favoritos de Carpenter. Podemos dizer com convicção que se não fosse por Dario Argento, provavelmente não existiria Halloween.
Explorando um pouco melhor a fonte da qual Halloween surgiu, vale lembrar que foi principalmente com o filme Prelúdio para Matar (Argento), de 1975, que Michael Myers, um dos maiores vilões de todos os tempos, viu pela primeira vez a luz da vida.
Mas há muito mais dentro da madura lista particular de John Carpenter: voltando um pouco mais no tempo, para 1976, temos o clássico Cult Assalto à 13ª DP, que faz claras referências a filmes de diretores como George Romero (alguém reparou as semelhanças com A Noite dos Mortos Vivos, de 1968?), só para citar um dos mais ‘’novos’’ ídolos na vida do diretor, naquela época.

Michael Myers em uma cena do filme Halloween (1978)
Mas, como já foi dito, Carpenter só ganhou fama mesmo com Halloween. O caso do filme Halloween foi um tiro disparado por um cego, mas que acidentalmente acertou o centro do alvo: o filme teve um orçamento bastante limitado (US$ 325,000), tanto que os atores usaram até suas roupas pessoais para as filmagens (o pessoal da equipe de filmagens não tive dinheiro para contratar figurinista) e a famosa máscara branca do assassino foi comprada em um mercado próximo ao local das gravações (por preço de banana). Mas, como já é sabido, o filme teve um grande retorno: arrecadou US$ 47 milhões só nos EUA. Detalhe: a trilha sonora do filme foi composta pelo próprio John Carpenter.
Logo após o americano dirigiu alguns filmes para TV, mas pulando essas televisivas obras menores, temos A Bruma Assassina, de 1980. A Bruma é um filme que, do mesmo modo que Halloween e Assalto à 13ª DP, não foi apenas dirigido por Carpenter, mas também escrito. É possível observar que com este filme o cineasta deu um enorme salto em sua carreira: se com Halloween ele se envolveu com uma atriz ainda pouco conhecida na época (foi o primeiro papel de Jamie Lee Curtis como protagonista), com A Bruma ele teve contato com um nome de muito peso dentro desse cinemão de suspense, Janeth Leigh, a famosa vítima da cena do chuveiro de Psicose. Sim, Alfred Hitchcock influenciou muito o Carpenter, e não é à toa que Myers anda o tempo todo com uma faca de cozinha em mãos.
No ano seguinte, 1981, a coisa evoluiu mais ainda, formando assim uma inesquecível dupla sertaneja cinematográfica: Carpenter e o ator Kurt Russell (não é o já falecido Ken Russell). Kurt trabalhou com Carpenter pela primeira vez em Fuga de Nova York, um filme que mistura ficção científica com ação e suspense. Mas esse filme não é, hoje, o mais recordado a respeito da famosa dupla. Mais um ano depois, 1982, surgiu o filme O Enigma do Outro Mundo (cujo título original é The Thing) que é, na verdade, refilmagem do pequeno clássico de Hawks, O Monstro do Ártico (cujo título original também possui o ‘’The Thing’’ no meio, mas é, por completo, The Thing From Anoter World), de 1951. O Enigma não teve muito sucesso em sua época, mas hoje é considerado um dos maiores clássicos do diretor e também, como já foi sugerido, um dos mais notórios trabalhos oriundos da parceria entre o diretor e o ator Russell.
Uma curiosidade é que há uma cena em Halloween em que uns meninos (personagens) assistem The Thing, de Hawks, na TV. Outra curiosidade é que Carpenter diz que sua versão de The Thing é a primera parte da ‘’Trilogia Apocalipse’’, e a segunda e terceira parte são, respectivamente, os clássicos O Príncipe das Trevas (1987) e À Beira da Loucura (1994).

Kurt Russell e John Carpenter no período das filmagens de Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986). Filme também dirigido por Carpenter.
Uma adaptação de um romance de Stephen King surgiu em 1983: Christine – O Carro Assassino. No Brasil esse filme é mais conhecido por ter figurado nos bons e velhos tempos em que filmes de terror eram exibidos nas sessões das tardes, na TV. Como o cinema de Carpenter é de marca própria, o resultado do filme não saiu muito semelhante ao romance, o que desagradou os fãs do maior nome da literatura fantástica contemporânea.
Já em 1988 surge Eles Vivem, que é considerado por muitos a obra máxima de Carpenter. É um misto de ação, ficção científica e suspense. O filme é uma enorme fonte de crítica social que condena principalmente os efeitos do capitalismo, mas nem por isso o trabalho perde sua riqueza aventureira que tantos admiram. Keith David, que também trabalhou em O Enigma do Outro Mundo, é o ator coadjuvante; já o ator principal é Roddy Piper, que se imortalizou com o papel que lhe foi dado: John Nada.

Uma das cenas finais de Eles Vivem.
A carreira do cineasta já estava sólida por aqui, e uma legião de fãs já tinha sido formada. E, a partir daí, outros filmes nasceram pelas mãos do homem tanto falado neste texto: Memórias de um Homem Invisível (1992), À Beira da Loucura (já citado), A Cidade dos Amaldiçoados (refilmagem do ano 1995 do filme A Aldeia dos Amaldiçoados, de 1960), Fuga de Los Angeles (filme do ano 1996, que é também sequência do filme Fuga de Nova York), Vampiros de John Capenter (título horrível, não?… esse filme é de 1998), Fantasmas de Marte (2001) e, por fim o mais recente, Aterrorizada (2010). Todos os filmes citados há pouco foram feitos para as telas de cinema, mas alguns televisivos surgiram por aí – Pesadelo Mortal (2005), filme pertencente à série de filmes Mestres do Horror, é um deles.
Pois bem, pois bem, pois bem… ainda não assistiu a nenhum filme de John Carpenter? Se não, não acredito! Então corra atrás! Repare no estilo único dele e se delicie com a arte de contar histórias!

“Sou só mais um realizador, nada mais!”
Deixa de humildade, cara! Você é mais!
Victor Ramos