Mar Aberto (2003) – Crítica

 Saindo diretamente dos bolsos alheios com um minúsculo orçamento, e com direção de Chris Kentis, Mar Aberto (2003) chegou ao público, sem muita pretensão, procurando oferecer aos espectadores apenas a sensação claustrofóbica dos últimos momentos de vida. Será que damos realmente valor à vida? Será que realmente estamos quites com as pessoas que amamos? Será que já fizemos tudo aquilo que sempre quisemos na vida? São estas e outras perguntas que ficam abertas ao assistir Mar Aberto. Aparentemente e na teoria, Mar Aberto é apenas um filhote do filme Tubarão (1975) de Steven Spielberg, mas na prática e na realidade é um filme bem diferente. O objetivo central de Mar Aberto é retratar os últimos e desesperados momentos de uma pessoa em agonia, assim como A Bruxa de Blair (1999), que ao longo de sua exibição procurou explorar o medo do desconhecido e o conceito do ciclo do medo. O conceito do ciclo já fora (e é até hoje) utilizado por vários filmes do gênero do qual Mar Aberto faz parte, ou seja, suspense/terror; é comum em filmes deste gênero, principalmente por conta dos modestos orçamentos, uma economia de cenários, e os poucos que são exibidos, comumente são pequenos, dando aos personagens envolvidos na trama um pequeno espaço para locomoção. Com um pequeno espaço para locomoção, os personagens (juntamente com os espectadores) são submetidos a um teste decisivo entre a vida e a morte. Observamos este conceito do ciclo em Torso (1973) de Sergio Martino, em O Iluminado (1980) de Stanley Kubrick, no recente A Casa (2010) de Gustavo Hernández, em Halloween (1978) e Aterrorizada (2010) de John Carpenter, etc.

 Por sua vez, mesmo que de forma quase obrigatória, o filme consegue passar muito bem os sentimentos dos personagens – sobretudo o medo – para as pessoas que estão a testemunhar a película em tela; quase obrigatória porque, sendo por sua vez um filme de baixíssimo orçamento (custou pouco mais de 100 mil dólares) não há para onde correr à procura de uma produção mais profissional; de todo modo, é do amadorismo da produção o principal mérito do derradeiro e convincente resultado do filme. A câmera nervosa na mão de Chris Kentis, que por sua vez, filma cenas altamente tensas, aproxima o espectador para uma melhor relação com a obra. Como se já não fosse o bastante ter uma direção competente, os atores (que não são conhecidos) dão um verdadeiro show de interpretação. Para aqueles que acham que os atores passaram um banho de CGI para construir aqueles longos minutos de mar aberto, um aviso: enganam-se. Tudo, eu repito, tudo foi filmado em locações; cada segundo que se passou no mar com os atores à deriva foi real, e ainda por cima com tubarões reais. Mar Aberto é de espantar e de deixar qualquer cinéfilo com a boca aberta. Chris Kentis explora uma situação nada mais nada menos que desesperadora, com uma ambição que consegue seu lugar ao sol.  

 É um filme bruto por parte da equipe técnica (o que neste caso não é algo negativo), daqueles que cospem na mão e passam na calça; mas por outro lado, aborda com uma sutileza descomunal o tema em questão. E o feijão completa o arroz.

Avaliação: 4/5

Victor Ramos

10 Comentários

Arquivado em suspense

10 respostas para Mar Aberto (2003) – Crítica

  1. Victor, teu texto ta muito bom, mas achei esse filme pessimo. 80 minutos interminaveisssssss, mas respeito tua opinião. Grande Abraço!

  2. Um chute na bunda de algumas das maiores regras do cinema, como a necessidade de uma história concreta, por exemplo… Tenso, cru, real, um dos melhores filmes de seu ano!
    Bom texto Victor… feijão com arroz???? que escolha de palavras! uahauha

    • Concondo, Bruno. Um dos filmes mais subestimados dos últimos anos. E vlw.

      Quanto ao ”feijão com arroz”, é o tipo do filme, hehehe… possui um estilo bruto de direção, mas aborda o tema com muita sutileza; uma combinação que no fim dá certo, do mesmo modo que Eduardo e Mônica, do Legião Urbana, haha.

  3. Um filme que não me desperta interesse.

  4. antonio nahud júnior

    Conseguiu me convencer, Victor. Vou assisti-lo.

    O Falcão Maltês

  5. Agradeço o comentário deixado no Cult Fiction. =)
    Quanto a este filme, confesso que ainda não vi. Está na minha lista. O texto foi bem escrito. Parabéns!
    Abraços!

  6. Asheley bb

    eu acho o filme
    bom mais um pouco aguniante o filme quase todo sao eles dentro da agua mais o filme poderia ficar melhor .parabens pelo texto ficou muy legal mais eles poderiam matar as curiosidades de muitos falando sobre se acharam os corpos, quantos dias de busca foram ,se alguem foi punido pelo cazo,e aquela camera q acharam dentro de um tubarao uau ficou legal bye

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